
Dia 21 de Dezembro é o solstício do Inverno. Um fenómeno que ocorre quando o Sol atinge a maior distância angular em relação ao plano que passa pela linha do equador. Por isso, este dia é o dia mais curto do ano e, consequentemente, a noite mais longa do ano.
Este dia e noite singulares têm inspirado mitos e crenças. É a noite em que o mundo mergulha na total escuridão da alma. E é desse momento da maior escuridão, que surge o “nascimento do sol invencível” – Natalis Solis Invicti, um ritual pagão (Saturnalia) que festejava, com ritos de alegria e troca de prendas, desde o dia 17 de Dezembro e até ao dia 25, o momento em que o Sol «cresce», ou renasce, após o dia ter atingido a sua duração mais curta. Os pagãos germânicos celebravam nesta época o Yule, considerada a primeira festa sazonal comemorada por tribos neolíticas na Europa. A passagem do Yule foi mais tarde adotada pelos cristãos para comemorar simbolicamente o nascimento de Cristo (que na verdade só nasceu em Março, de acordo com alguns registos bíblicos).
Para além dos aspetos astrológicos e os rituais de comemoração associados, este é um momento admirável de retoma do ciclo eterno da transformação. Onde o fim representa um novo começo, abençoado pelo Céu e pelo Sol.
Cabe-nos, mais uma vez, tomá-lo como um presente maravilhoso e raro. Como um convite para renascermos e conscientemente optarmos para uma nova vida, abandonando o que já não nos serve e nos atrasa o passo. Tal como a natureza, que nesta altura se prepara para lentamente acordar renovada, também nós temos uma nova oportunidade para renascer, agora mais sábios.