A história das Motas surge da irreverência dos rapazes do Galisteu Fundeiro, desde o início do século XX, em busca de momentos de diversão e alegria que contrastasse com a vida escassa da aldeia, o trabalho do campo e a aspereza das gentes, moldada pela dureza dos tempos.

Por essa altura, no cimo da portela, a vir da vila, destacava-se uma linha de água que brotava por entre os pinheiros e que se prolongava para sul por um barroco empedrado em direção à vinha da várzea, nas margens da ribeira da Freixada.

Nessa encosta do cimo da portela abundava o barro vermelho, que era um ingrediente fundamental na produção de argamassa para a construção de casas de xisto, muros de pedra, lareiras e fornos de lenha. Na primavera usava-se o barro para selar enxertias na vinha ou em árvores de fruto, e ainda para moldar pequenos artefactos para a casa ou para o campo.

Com as chuvas de Outono a água brotava dos olheiros por entre os pinheiros, e encaminhava-se para o barroco, espraiando-se pelo pequeno vale cavado e alisado pelos homens na exploração do barro vermelho.

E logo os rapazes da aldeia se apressavam para ali, para aproveitar a escorrência das águas sobre o barro, equipados de sacos de plástico para deslizar encosta abaixo a grande velocidade.

E chamavam-lhe… as motas.